Tivemos um acelerado desenvolvimento tecnológico que é muito positivo para a humanidade, afinal não podemos negar que tudo ficou mais fácil e mais prático na vida moderna. Entretanto, a tecnologia para alguns não significa nem de longe praticidade ou comodidade. Para estas pessoas a tecnologia, especificamente a internet, é sinônimo de doença e de sofrimento. Quando pensamos sobre vício, logo associamos ao cigarro, droga, e a bebida, pois esses vícios são os mais comuns na sociedade. Porém, os objetos dos viciados modernos estão mudando, afinal também estão acompanhando as tendências. Hoje o número de dependentes em Internet está crescendo a cada dia. Segundo o jornal China Daily, dos 18 milhões de internautas chineses, pelo menos 2 milhões estão viciados em Internet. No Brasil o número de casos cresceu tanto que o Hospital das Clínicas em São Paulo tem um ambulatório só para atendê-los.
E não para por aí. O site The Guardian divulgou a internação em hospital psiquiátrico para tratamento de duas crianças espanholas de 12 e 13 anos por estarem viciadas no uso de aparelhos celulares, onde não conseguiam desenvolver nenhuma atividade sem estar com os aparelhos e ao se afastarem tinham crise de abstinência, tendo sintomas como tremedeira, suor e ansiedade. Estes são os primeiros casos identificados no mundo em referência a dependência em celular.
“A Dependência da Internet manifesta-se como uma inabilidade do indivíduo em controlar o uso e o envolvimento crescente com a Internet e com os assuntos afins, que por sua vez conduzem a uma perda progressiva de controle e aumento do desconforto emocional. Com efeitos sociais significativamente negativos, os indivíduos que despendem horas excessivas na Internet, tendem a utilizá-la como meios primários de aliviar a tensão e a depressão, apresentam a perda do sono em conseqüência do incitamento causado pela estimulação psicológica e a desenvolver problemas em suas relações interpessoais. Além disso, os dependentes usam a rede como uma ferramenta social e de comunicação, pois têm uma experiência maior de prazer e de satisfação quando estão on-line, podendo este ser um fator preditor para a dependência. Nesta vertente, alguns estudos consideram a sensação subjetiva de busca e/ou a auto-estima rebaixada, timidez, baixa confiança em si mesmo e baixa pró-atividade como outros fatores preditores para o uso abusivo da Internet.”
Ainda segundo o site, a pessoa tem a dependência se apresentar pelo menos, 5 dos 8 critérios abaixo descritos:
(1) Preocupação excessiva com a Internet
(2) Necessidade de aumentar o tempo conectado (on-line) para ter a mesma satisfação
(3) Exibe esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da Internet
(4) Irritabilidade e/ou depressão
(5) Quando o uso da Internet é restringido, apresenta labilidade emocional (Internet como forma de regulação emocional)
(6) Permanece mais conectado (on-line) do que o programado
(7) Trabalho e as relações sociais ficam em risco pelo uso excessivo
(8) Mente aos outros a respeito da quantidade de horas conectadas
O site também indica quais são as características gerais dos "Heavy Users":
-Pessoas inteligentes e mentalmente muito ágeis
- Preferem passar o “dia todo” conectados
- Pertencentes a todas as faixas etárias
- Apresentam depressão e/ou ansiedade
- Preferem as interações virtuais as reais
- Utilizam a internet como uma forma de expressão daquilo que realmente são e pensam (refúgio)
- Ciclo de amizades e de relacionamentos muito empobrecido
- Desenvolvem idiossincrasias* na rede (* é uma característica comportamental específica a um indivíduo ou grupo)
Como percebemos o assunto é sério, e é preciso tomar alguns cuidados com a frequência e o modo de utilização da internet.
Abaixo segue o link para fazer o teste, que é disponibilizado pelo site do AMITI, e saber como está a sua relação de dependência com a Internet.
http://www.dependenciadeinternet.com.br/article/archive/7/
Em complemento segue uma entrevista com Dr. Cristiano Nabuco de Abreu que é o Coordenador do AMITI do Hospital das Clínicas, e abrindo aqui um parênteses, meu ex-professor no qual tenho muita admiração, pois é um exemplo de profissional a ser seguido pela competência e contribuição de suas pesquisas na área da Psicologia.
TV Cultura
Links citados neste Post:
http://www.dependenciadeinternet.com.br/
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