Um dia desses entrei no elevador e logo em seguida ele parou em outro andar e entrou uma moça. Eu, como de costume, olhei para ela pronta para dizer “bom dia!”, e para minha frustração ela continuou com a cabeça baixa. Resumindo, fui totalmente ignorada, e ficou claro para mim que ela não não fazia a mínima questão de ter um contato social. E com certeza você já deve ter passado por alguma situação similar. Após esse episódio, comecei a prestar atenção no comportamento das pessoas ao entrar no elevador, e percebi que apesar de ser um pequeno espaço de tempo é possível tirar algumas conclusões.Trabalho no mesmo prédio há alguns anos, e há pessoas que cruzo no elevador com muita frequência, e claro, não sei o nome de pelo menos 99% das pessoas que encontro. Porém, de alguma delas sei o andar, e em consequência a empresa que trabalham. Mas não é só isso. Acredito que para chegar pelo menos a uma conclusão sobre a personalidade de alguém, é necessário ter muita cautela, afinal o ser humano é complexo e as aparências enganam... Observe como as pessoas agem diferente uma das outras. É perceptível o quanto as atitudes são diferentes, e o quanto a comunicação não verbal predomina. Dependendo do tipo da pessoa, a nossa “viagem”de um andar para outro pode demorar uma eternidade e em outros momentos pode ser muito rápida, inclusive pode até faltar tempo para completar uma conversa. Tudo irá depender de quem iremos cruzar.
A boa educação diz que quem entra no elevador deve cumprimentar com pelo menos um bom dia, boa tarde ou boa noite. E claro, quem está dentro, deve responder. Mas você já observou como há shows frequentes de grosseria e mau humor? Não consigo entender como há pessoas que conseguem entrar no elevador, e nem ao menos olhar para as pessoas e saudar com um simples olá! Há pessoas que nos fazem sentir um fantasma, como nós não existíssemos naquele momento!
Ao ficar intrigada com este tema, iniciei uma pesquisa. E pasmem! Tive uma surpresa! Há vários estudos de importantes Universidades sobre essa questão, onde já existem algumas conclusões. Isso quer dizer que, provavelmente, esta questão intrigou mais pessoas...
Por ser um espaço pequeno, o elevador faz com que as pessoas, de certa forma, sejam invadidas no seu espaço mínimo de distanciamento, e assim perdem uma parte do seu território seguro.
Segundo a revista Mente e Cérebro, elevador é o meio de transporte mais usado nas grandes
cidades, e em São Paulo estima-se que existam mais de 270 mil unidades. Em uma pesquisa realizada nos Estados Unidos foram usadas câmeras de vigilância em 15 edifícios públicos. A idéia era identificar e quantificar comportamentos típicos adotados no meio de transporte, a começar pela posição escolhida no interior da cabine. A posição preferida por 47% das pessoas, quase dois terços das quais do sexo masculino, é aquela próxima à parede oposta à porta, ou no máximo ao centro. Não por acaso, é uma localização que permite manter sob controle todo o espaço visual.Cerca de 30% dos passageiros solitários, com predomínio do sexo masculino, se colocam diante da porta. Manifestam certa impaciência e parecem não ver a hora de sair. Os ingleses os chamam de front runners: muitas dessas pessoas mantêm o nariz a menos de 20 cm da porta, de forma que possam sair assim que ela começa a se abrir. Os 24% restantes se posicionam mais ou menos igualmente à esquerda ou à direita da porta, com ligeira preferência pelo lado em que se encontra o painel.
Ainda segundo a revista Mente e Cérebro, é possível distinguir, embora de maneira superficial, três tipos básicos de usuários de elevador: o extrovertido (que em geral inicia conversas), o introvertido (que habitualmente fala somente quando lhe é solicitado) e o auto-suficiente (que, com gestos de restrição, explicitam insegurança ou desprezo em relação a si e aos demais).
Para fugir do desconforto da convivência forçada, é comum que as pessoas adotem diferentes posturas, nem sempre condizentes com seu comportamento usual. Vejam alguns desses tipos que surgem entre um andar e outro:
Intrometido – Falador e, em geral, indiscreto, sente-se no dever de conversar com todos, falando interminavelmente até o elevador se esvaziar.
Observador – Olha as pessoas da cabeça aos pés, observando detalhes da roupa ou características físicas; não fala, parece não exprimir nenhuma emoção e fica atento mesmo que o elevador esteja vazio.
Arrogante – Na maioria das vezes vestido de forma impecável, olha os outros com desprezo ou auto-suficiência e, em geral, é um front runner. Não raro, assume tal atitude por puro mal-estar causado pela proximidade alheia. Costuma sacar o celular assim que a porta abre.
Intratável – Faz de tudo para evitar qualquer contato, físico ou verbal. Se o elevador está ocupado, hesita entre entrar, usar a escada ou esperar a próxima viagem. Se alguém tenta romper o silêncio, fica quieto, olhando para frente.
Vaidoso – Busca imediatamente um espelho e, na falta deste, usa a superfície metálica que reflete sua imagem para ajeitar roupas, cabelos e sobrancelhas.Inseguro – Mostra-se hesitante, atrapalha-se com o andar. Solicita as mais diversas informações.
Apesar de buscar entender essa dinâmica é muito nítido o quanto ficamos indefesos quando aquela portinha metálica fecha. É muito interessante, pois ficamos ligeiramente incomodados...E cada um irá reagir de forma diferente...E para aqueles que se sentem muito incomodados, e lêem pelo menos 50 vezes a quantidade máxima de lotação até chegar ao seu destino, a propaganda eletrônica é um grande alívio! Ufa!
Um abraço,
Milene Rosenthal
P.S. E falando em elevador não tinha como não lembrar...As fotos que ilustraram este post são de uma atração da MGM Disney Studios que é uma viagem nada tradicional dentro de um elevador....É muito bom! Caso tenha oportunidade, não deixe de ir, e para quem já foi segue um vídeo com atração para matar a saudade...
Enjoy!
Um comentário:
De certa forma as pessoas tem sim um modo geral de conviver em todos os ambientes, quando este é menor, é mais "fácil" perceber o jeito delas.
Entretando, acredito que é válido ressaltar que não é sempre que as pessoas estão no seu estado de "100%", pois muitas vezes estas tem outras coisas na cabeça variando assim suas ações, como por exemplo, uma pessoa extrovertida pode não começar uma simples conversa por estar preocupado com um parente doente ou até mesmo por estar apaixonada, fazendo-a pensar em outra coisa e assim agindo diferentemente.
Apesar de ser um post de certa forma interessante, acho que só ressaltar a vivência de pessoas em um local é meio que incompleto, porque todos nós somos seres complexos e, com isso, podemos mudar radicalmente de comportamento apenas por estarmos em lugares diferentes, não por ser locais diferentes ou não, mas como também a companhia da pessoa.
Mas em si é um assunto peculiar, porque neste espaço se pode definir muito sobre os demais, mesmo que o espaço e tempo sejam pequenos.
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