sábado, 7 de junho de 2014

Bem-vindo(a) a Era do Relacionamento!

Imagine que você está numa festa de confraternização da sua empresa em um sítio de propriedade do Diretor da sua área. Neste momento todos estão com suas famílias, e o clima é de descontração, afinal todos estão rindo e relembrando fatos engraçados do dia-a-dia do escritório. O seu Diretor, que é um homem muito competente e admirado por toda a equipe, está interagindo com todos, e aparentemente muito feliz com a situação. Em um determinado momento, a esposa do seu Diretor chega ao lado dele e faz um comentário ao pé do ouvido, e os dois iniciam uma pequena discussão que vai aumentando de volume...o pessoal começa a se olhar e o silêncio impera....a discussão fica séria, e parece que os dois estão muito irritados um com o outro. A esposa do seu Diretor fala mais alguma coisa, e sai andando...e de repente....o seu Diretor puxa a esposa pelo cabelo, derruba-a no chão e começa a socar o seu rosto! Todos entram em pânico, e tiram ele de cima dela. Final da história: um nariz quebrado, um Diretor de Negócios disponível no mercado, e claro, muito assunto para o almoço de segunda-feira!

E se você acha que eu inventei essa história, está muito, mas muito enganado! Quem me relatou foi uma colega da área de RH que inclusive estava nesta confraternização. E depois de contar toda essa história, obviamente ela não deixaria de fazer aquele comentariozinho tradicional e muito popular: “Mas como pode, um homem daquele nível ter feito isso? Nunca imaginei que essa pessoa seria capaz de ter uma atitude dessa! E ainda na frente de toda a equipe!” Pois é, não só pode, como fez!

Ao longo da minha carreira tenho percebido que muitas pessoas, com aparente maturidade e bom nível intelectual, tem gerado situações adversas e que acarretam consequências muito negativas, e até mesmo estragos irreversíveis. Acredito que a maioria destas pessoas agem dessa forma por não terem um equilíbrio emocional adequado e principalmente, por não possuírem uma maturidade psíquica que possam lhe dar suporte em momentos críticos ou de intensas dificuldades. Mas porque isso acontece? As pessoas ao longo da vida não deveriam amadurecer? Não deveriam ter mais experiência por terem passado por diversas situações? Infelizmente, na realidade, esse processo é muito mais complexo e apesar de estarmos num momento de grande avanço tecnológico e com menos barreiras na área da comunicação, as pessoas estão esquecendo de desenvolver algo fundamental : o autoconhecimento.

Resumindo: não adianta melhorarmos as ferramentas de comunicação, e nos alimentarmos cada vez mais de conhecimentos se não cuidarmos e olharmos para dentro de nós mesmos e entendermos como, quando e aonde querermos chegar!! E se não conseguirmos deixar isso claro, todas as ferramentas e o conhecimento aprendido terão um efeito contrário: irão gerar sofrimento ao invés de satisfação. Quer um exemplo prático? Hoje no mundo existem milhares de pessoas que são viciadas em internet e são tratadas exatamente iguais a um dependente químico..Mas calma aí...a Internet não é facilitador da comunicação, algo essencial nos dias de hoje e possui um mar de conhecimento e de cultura? Como pode fazer mal a uma pessoa? Pois é... Se a pessoa não tiver uma boa estrutura emocional que a faça entender que a Internet tem uma função de agregar valor e não de ser o valor central em sua vida (preencher alguma carência) poderá se perder e criar uma dependência, seja ela direcionada para sites de relacionamento, de games, de sexo e por aí vai.

Se conhecer é fundamental! É o começo de tudo! Ter uma boa percepção de si mesmo, aumentarão as chances de prever quais serão os possíveis comportamentos e reações que você poderá ter dentro de uma situação, e assim optar por escolhas mais corretas. Entretanto, perceber a nossa realidade interna é uma tarefa relativamente difícil, pois temos algumas resistências, e ao mesmo tempo é necessário um constante exercício de diálogo interno e reflexão. Infelizmente percebo que as pessoas "vão" vivendo, errando e não aprendendo. Repetem inúmeras vezes comportamentos que lhe trazem desconforto e que muitas vezes afetam de forma negativa outras pessoas. E a saída na maioria das vezes é transferir a responsabilidade para o outro, e assim se isentar da responsabilidade em assumir o erro.

A psicoterapia é uma excelente alternativa e a mais eficaz para quem busca o autoconhecimento. Infelizmente, no Brasil, não existe uma cultura, um tradição, em fazer terapia. Os motivos são diversos, mas acredito que a maior barreira é o preconceito, pois buscar um Psicólogo traz a sensação para muitas pessoas de algo muito sério, e relacionado a loucura....É uma pena, pois a terapia nos dá a oportunidade e as ferramentas certas para explorar e conhecer o nosso “eu”.
Alguns filósofos e cientistas definem a época atual como a “Era do Conhecimento”...mas tenho que discordar, pois esta Era já ficou para trás! A geração passada e atual sabe o quanto é importante estar ligado em tudo, e estar sempre atualizado...já faz parte do nosso “DNA” e da sobrevivência. Hoje temos um fácil acesso ao conhecimento, pois a internet facilitou a nossa vida, e mesmo sem ela, existem milhares de bibliotecas, centros de pesquisa, livrarias, que podem nos suprir. Resumindo, não há desculpa! O conhecimento está aí, pronto e disponível para ser apredido a qualquer hora....Mas no meu entendimento, o grande desafio no momento atual é saber se relacionar..e a qualidade das relações que você estabelece dependerá do nível de autoconhecimento que você tem de si mesmo. Por isso acredito que estamos na ERA DO RELACIONAMENTO, afinal, você pode ter todo o conhecimento do mundo, mas se não conseguir expressá-lo e utilizá-lo da maneira correta, não lhe servirá para nada!

Autoconhecimento e relacionamento andam juntos....as pessoas que não se conhecem bem, dificilmente terão um bom relacionamento com os outros. Se relacionar é de certa forma abrir uma porta para conhecer uma nova realidade, e inevitavelmente implica em alguma transformação, mesmo que seja mínima. Ao entrar em contato com outra pessoa, você sairá diferente, pode ter certeza!
Quando não se tem uma boa percepção de si mesmo, há uma tendência das pessoas se relacionarem não com o outro, mas com as expectativas que foram criadas em cima do outro...e aí começam os problemas! Escutamos o que queremos escutar, vemos o que queremos enxergar e a realidade fica cada vez mais distante...e quando ela chega...que susto! Dor e muita frustração! Hoje escutamos muito sobre o conceito de que “relacionar-se é a base do sucesso”e o quanto é importante desenvolver o famoso “networking”. Concordo e sou uma incentivadora de todas essas idéias, mas se você não conseguir gerar uma boa imagem e deixar um rastro positivo, tudo isso poderá virar contra você. E não há receitas milagrosas....sem se conhecer não poderá ser autêntico e apresentar ao outro o que melhor há em você!!! E mais, como você pode se propor a conhecer alguém se não se conhece primeiro? Lembre-se que no processo de conhecimento você irá perceber o outro com o seu próprio olhar...e muito provavelmente irá gerar preconceitos baseados em suas vivências anteriores... e se o filtro estiver muito prejudicado poderá julgar de forma errada e assim perder uma boa oportunidade de agregar pessoas interessantes à sua vida. Em qualquer lugar que esteja, olhe ao seu redor e evite fazer pré-julgamentos, e sempre esteja aberto a conhecer novas pessoas.

Abaixe suas defesas, e antes de julgar, conheça primeiro!
Uma relação para existir necessita de duas pessoas, e assim, ambas são responsáveis pelo fracasso ou o sucesso desse relacionamento. Há uma tendência natural, e de certa forma uma defesa, de responsabilizar o outro por tudo que ocorre.....mas não se esqueça que para o outro agir de uma determinada maneira com você é porque em algum momento você estimulou ele a pensar dessa forma ... Um relacionamento pode estimular algo que já existe dentro de você, mas NUNCA o outro será responsável pelo que você é, e pelas escolhas que você faz.....Afinal é muito mais fácil culpar e responsabilizar o outro do que olhar para dentro de nós e assumir que fizemos escolhas erradas...Vilão e Mocinho são papéis que não combinam no mundo das relações! Neste mundo, as palavras básicas são "ação e reação".

E concluindo, espero que o Diretor de Negócios (da história acima) e sua esposa (ou agora ex!) tenham amadurecido com essa experiência, e que as pessoas que conheceram e estiveram presentes nesta situação, reflitam e olhem para dentro de si....afinal qualquer indivíduo que, não tem um conhecimento básico sobre as suas limitações e dificuldades, poderá estar produzindo uma bomba interna e que poderá explodir a partir de uma pequena faísca....
Decida ser você mesmo! Explore você e se conheça cada vez mais... e lembre-se que a felicidade não está no outro, mas em nós mesmos!

Um abraço,
Milene Rosenthal

3 comentários:

Anônimo disse...

Milene,
Sou amiga da Vera Ribeiro, ela me indicou seu blog, achei super interessante. Eu sempre digo que nao conhecemos o ser humano, nao sabemos do que uma pessoa, aparentemente normal, é capaz de fazer em momentos de fúria. Difícil dizer o pq do aumento de incidentes pequenos como esses ou até mesmo grandes, como mortes em massa. Eu estudo muito sobre pós-modernidade e quanto mais leio, mais me assusto. Os sinais de pessoas que estão nesse processo de "explosão" são tão discretos que devemos estar sempre atentos com pessoas ao nosso redor, até mesmo para ajudar. Não nos deixamos mais "afetar" pelas pessoas e isso tem dois lados, como tudo na vida.
Adorei o blog. Parabéns!

Anônimo disse...

Olá Milene, sobre a festa de confraternização da empresa...

Você citou um situação quase que pública - a briga do casal .

E as situações "não públicas", daquelas que os colaboradores se aproveitam da descontração dos eventos empresarias ou festas para flertar com os colegas , estejam estes comprometidos ou não, e em nome do somente "curtir" o momento vão além do limite do profissionalismo ? Assim ferindo sentimentos e desrespeitando o ambiente de trabalho .

E na volta ,a "subida à serra" a situação criada dá continuidade de maneira velada (lógico) .

Qual a diferença do "barraco" em público com a "curtição" no ambiente de trabalho ? Resposta : Hipocrisia humana . Porque o que não vejo tolero ?

Você não acha que a punição aos envolvidos deveria ser a mesma em ambos os casos ? Ou vamos tolerar o caso do diretor casado com a gerente ou vice-versa ?

Qual a sua opinião como profissional de RH e psicóloga ?

Abraços

Anônimo disse...

Milene, gostei muito do seu blog e principalmente deste topico. A era do relacionamento.
Acredito que o ponto principal em tudo isso eh o auto conhecimento. Em consequencia do dia a dia extressante em que vivemos e toda absorcao de tempo em busca de conhecimento exterior nas horas oportunas, sobra muito pouco tempo para meditarmos e investirmos em dialogos de ordem analitica seja com terapeutas, amigos e ate mesmo nosso parceiro. Vivemos uma nova era e rotulamos a mesma de tudo que e' mais conveniente, mas a era do auto conhecimento que nao eh nem um pouco confortavel, exige tempo,dedicacao e trabalho duro nao chegou ainda ou sempre deixamos para proxima segunda feira. Acredito que o mundo estara em melhores condicoes quando sintonizarmos mais nas nossas acoes e reacoes. Por que,porque,porque... voltando la no nosso primeiro aninho de vida onde perguntamos a nossa mae tudo que estava a nossa volta Por que do porque. vamos tentar enterder porque eu falei isso, porque recebi essa resposta, porque agi assim e o que me fez desencadear essa reacao??? Pararmos de concentrar a atencao no outro e reservar um pouco de atencao em nossas acoes e reacoes.Nao somos Perfeitos. Com todo os recursos tecnologicos que temos a nossa disposicao esta na hora do Ser Humano parar e fazer bom uso da tecnologia ao seu auto desenvolvimento.
Rosane