Nesta última semana o assunto Eloá foi tema de muitas rodas de conversa, e alguns amigos me perguntaram, você acha que esse rapaz é louco?
Parei para pensar. E sabe de uma coisa? Eu tenho pena é dos loucos... Muitos em nossa sociedade definem pessoas como Suzane Richtofen, Casal Nardoni e Lindemberg Alves como loucos. Isso na verdade é uma injustiça frente a quem realmente sofre de uma doença muito grave, e que na grande maioria das vezes não consegue ter um momento, um minuto de paz e tranqüilidade interior.
Quem conhece a realidade de um louco sabe que muito provavelmente ele não tem condições alguma de planejar o assassinato de seus pais por um mês (no seus mínimos detalhes), de ficar 100 horas num apartamento apontando uma arma a uma pessoa, e muito menos pegar um tesoura e cortar uma rede para jogar uma criança pela janela de forma premeditada. Há loucos que matam? Sim, há e muitos. Mas são pessoas doentes que muito antes de cometerem um crime já demonstraram sinais de rompimento psíquico, e que provavelmente não tiveram uma intervenção adequada. Posso dar dois exemplos clássicos e famosos, o Bandido da Luz Vermelha e Maníaco do Parque, mas não quero entrar nesta discussão, pois o ponto que quero chegar é outro.
Uma das grandes discussões atuais e que cada vez mais deverá ser alvo para pais e educadores, está ligado a falta de limites na educação de crianças e adolescentes que geram problemas tanto para a família como para a sociedade. Nesta última tragédia há fortes indícios que Lindemberg Alves não tinha a mínima capacidade de tolerar uma frustração, pois quando a teve, através de uma rejeição, reagiu da pior forma.
Com base em seu perfil sócio-econômico (divulgado pela mídia), provavelmente este jovem deve ter tido muitas frustrações e algumas privações em relação ao consumo propriamente dito, e aí vem a pergunta, então, se já estava acostumado a não ter com freqüência o que desejava, porque não foi tolerante ao rompimento do seu namoro? Pois é, esse tipo de frustração não é tão somente aquela quando uma criança pede um brinquedo e lhe é negado. É muito mais do que isso.
Em muitas situações, os pais ao buscar garantir um lar harmônico e sem conflitos, por comodidade, ou até mesmo por não quererem ver o filho sofrer, não impõe o limite necessário e cedem as vontades de seus filhos. É o mundo em que tudo pode! Não há regras, horários e o mínimo de disciplina. Com essa permissividade, os pais tiram da criança a única oportunidade de vivenciar e treinar as emoções, frustrações e rejeições que fazem parte das relações humanas, pois o tempo todo, tudo é lhe dado, seja o carinho, a atenção, o afeto.
Em conseqüência, essas crianças que são altamente protegidas crescem e vão para a sociedade, e se deparam com o verdadeiro mundo real. Na grande maioria das vezes, quando não têm uma estrutura psíquica equilibrada aliado a uma distorção de caráter, não conseguem lidar com a dura realidade e o grande vazio que lhe é concebido. Como resultado, buscam alternativas para fugir desse sofrimento, seja a droga, a violência ou até mesmo ações extremas como seqüestrar e matar friamente aquela pessoa que não a quis mais.
Neste caso trágico todos estão focando Lindemberg Alves, porém deixo aqui uma outra questão a se pensar em relação a limites: como pode uma criança de 12 anos namorar um jovem de 19 anos com a aprovação dos pais? Você acha que um criança de 12 anos tem totais condições de assumir uma relação amorosa com esta idade, sendo que esta é uma idade ainda do brincar? Isto também não seria uma falta de limite?
Dar limites aos filhos também é um ato de amor e faz com que eles entendam a importância em respeitar o espaço do outro nas relações. O temido “não” em muitos momentos poderá trazer infinitos benefícios a este futuro adulto!
Obviamente, fica difícil chegar a conclusões sem ter dados suficientes para analisar e entender cada caso que assistimos na mídia, mas o fato é que, a cada dia está aumentando o número de notícias envolvendo jovens que praticam crimes severos. E estes jovens são apenas a ponta do iceberg, afinal, atrás de toda essa problemática há muitas questões envolvidas, pois este jovem já foi uma criança e a partir do núcleo familiar em que estava inserido pode formar a sua personalidade, o modo de olhar a vida e o mundo.
E a partir de tudo que foi discutido, deixo uma pergunta para reflexão: há apenas um culpado?
Um abraço,
Milene Rosenthal
Textos para leitura:
Matéria da Veja – Porque é preciso dizer não?
http://72.30.186.56/search/cache?ei=UTF-8&p=colocar+limite+nos+filhos+-+amor&y=Buscar&rd=r1&fr=yfp&u=veja.abril.com.br/160699/p_124.html&w=colocar+limite+nos+filhos+amor&d=PcBsC0LURo9E&icp=1&.intl=br
Superinteressante – Como ela pôde? ( Suzane Richtofen)
http://super.abril.com.br/superarquivo/2003/conteudo_270409.shtml
Parei para pensar. E sabe de uma coisa? Eu tenho pena é dos loucos... Muitos em nossa sociedade definem pessoas como Suzane Richtofen, Casal Nardoni e Lindemberg Alves como loucos. Isso na verdade é uma injustiça frente a quem realmente sofre de uma doença muito grave, e que na grande maioria das vezes não consegue ter um momento, um minuto de paz e tranqüilidade interior.
Quem conhece a realidade de um louco sabe que muito provavelmente ele não tem condições alguma de planejar o assassinato de seus pais por um mês (no seus mínimos detalhes), de ficar 100 horas num apartamento apontando uma arma a uma pessoa, e muito menos pegar um tesoura e cortar uma rede para jogar uma criança pela janela de forma premeditada. Há loucos que matam? Sim, há e muitos. Mas são pessoas doentes que muito antes de cometerem um crime já demonstraram sinais de rompimento psíquico, e que provavelmente não tiveram uma intervenção adequada. Posso dar dois exemplos clássicos e famosos, o Bandido da Luz Vermelha e Maníaco do Parque, mas não quero entrar nesta discussão, pois o ponto que quero chegar é outro.
Uma das grandes discussões atuais e que cada vez mais deverá ser alvo para pais e educadores, está ligado a falta de limites na educação de crianças e adolescentes que geram problemas tanto para a família como para a sociedade. Nesta última tragédia há fortes indícios que Lindemberg Alves não tinha a mínima capacidade de tolerar uma frustração, pois quando a teve, através de uma rejeição, reagiu da pior forma.
Com base em seu perfil sócio-econômico (divulgado pela mídia), provavelmente este jovem deve ter tido muitas frustrações e algumas privações em relação ao consumo propriamente dito, e aí vem a pergunta, então, se já estava acostumado a não ter com freqüência o que desejava, porque não foi tolerante ao rompimento do seu namoro? Pois é, esse tipo de frustração não é tão somente aquela quando uma criança pede um brinquedo e lhe é negado. É muito mais do que isso.
Em muitas situações, os pais ao buscar garantir um lar harmônico e sem conflitos, por comodidade, ou até mesmo por não quererem ver o filho sofrer, não impõe o limite necessário e cedem as vontades de seus filhos. É o mundo em que tudo pode! Não há regras, horários e o mínimo de disciplina. Com essa permissividade, os pais tiram da criança a única oportunidade de vivenciar e treinar as emoções, frustrações e rejeições que fazem parte das relações humanas, pois o tempo todo, tudo é lhe dado, seja o carinho, a atenção, o afeto.
Em conseqüência, essas crianças que são altamente protegidas crescem e vão para a sociedade, e se deparam com o verdadeiro mundo real. Na grande maioria das vezes, quando não têm uma estrutura psíquica equilibrada aliado a uma distorção de caráter, não conseguem lidar com a dura realidade e o grande vazio que lhe é concebido. Como resultado, buscam alternativas para fugir desse sofrimento, seja a droga, a violência ou até mesmo ações extremas como seqüestrar e matar friamente aquela pessoa que não a quis mais.
Neste caso trágico todos estão focando Lindemberg Alves, porém deixo aqui uma outra questão a se pensar em relação a limites: como pode uma criança de 12 anos namorar um jovem de 19 anos com a aprovação dos pais? Você acha que um criança de 12 anos tem totais condições de assumir uma relação amorosa com esta idade, sendo que esta é uma idade ainda do brincar? Isto também não seria uma falta de limite?
Dar limites aos filhos também é um ato de amor e faz com que eles entendam a importância em respeitar o espaço do outro nas relações. O temido “não” em muitos momentos poderá trazer infinitos benefícios a este futuro adulto!
Obviamente, fica difícil chegar a conclusões sem ter dados suficientes para analisar e entender cada caso que assistimos na mídia, mas o fato é que, a cada dia está aumentando o número de notícias envolvendo jovens que praticam crimes severos. E estes jovens são apenas a ponta do iceberg, afinal, atrás de toda essa problemática há muitas questões envolvidas, pois este jovem já foi uma criança e a partir do núcleo familiar em que estava inserido pode formar a sua personalidade, o modo de olhar a vida e o mundo.
E a partir de tudo que foi discutido, deixo uma pergunta para reflexão: há apenas um culpado?
Um abraço,
Milene Rosenthal
Textos para leitura:
Matéria da Veja – Porque é preciso dizer não?
http://72.30.186.56/search/cache?ei=UTF-8&p=colocar+limite+nos+filhos+-+amor&y=Buscar&rd=r1&fr=yfp&u=veja.abril.com.br/160699/p_124.html&w=colocar+limite+nos+filhos+amor&d=PcBsC0LURo9E&icp=1&.intl=br
Superinteressante – Como ela pôde? ( Suzane Richtofen)
http://super.abril.com.br/superarquivo/2003/conteudo_270409.shtml
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